O Tempo em que eu te Amava

"Muitas vezes sofri,
Por que duvidei de teu amor...
Nas milhares de pessoas
Com que isso eu senti,
Era com você que eu lidava..."

Não se trata aqui,
De um caso de paixão humana,
Mas sim, de Amor Divino.

A cada vez que eu duvidei
Da índole do homem,
Duvidei da índole de Deus.

Era isso que entristecia,
Em cada percalço que eu passava,
Na minha vida Diurna e Noturna.

Durante o Dia (de minha consciência),
Por vezes,
Acredita nos Homens, e por conseguinte,
Em Ti... O Deus.

Durante a Noite (de minha consciência),
Vez por outra,
Desacreditava deles, e no fim,
De Ti... O Deus.

Nestes Momentos,
Perguntava a Ti:

"Por que deixaste eles me ferirem.
Que obras tuas são estas, que nos faz sentir tão mal
Que amor é este de Pai, se tanto me abandonas,
Na mão destes teus filhos...."

O Sim,
Duvidei varias vezes desse Amor,
Durante as noites de minha ignorância.

E pelo mau do Homem, que senti,
Causei o mau ao Homem, como eu senti.

Enfim,
Revidei, com minha mágoa...
Abandonei, por minha descrença...
Matei, por já não sentir vida em mim...
Morri, por desacreditar do que sei...

Só então compreendi,
Que outros como eu,
Me fizeram sofrer,
Como eu também já os tinha feito sofrer...

Na medida em que não acreditei mais neles,
Senti de minha parte,
Liberdade total de agir, sem escrúpulos, sobre eles.
Sem pensar no que eles sofreriam,
Pois eu já havia sofrido.

Não senti suas dores,
Ignorei seus percalços,
Cobrei-lhes a duras penas, o Retorno.
Daquilo que fizeram a mim.

Assim,
Eu estava livre para fazer,
O que quer que fosse,
com eles.

"Este é o mal, o único e verdadeiro mal,
pelo qual o Homem pode deixar de ser Humano:
Deixar de ver o outro Homem, ver no outro uma fera,
E como fera comportar-se..."