Uma Aldeia e dois Aldeġes

 

Havia em uma aldeia, dois aldeões que moravam de frente um para o outro. Um certo dia, um deles cortava sua lenha, a frente de sua casa, quando, sem querer, em um dos cortes do machado, uma parte da lenha se despedaçou e acertou a janela da casa do outro aldeão.

Este, enfurecido, saiu para a frente de sua casa, e condenou o outro aldeão, dizendo-lhe que ele não deveria ter cortado lenha ali, já que aquilo poderia acontecer. Não satisfeito, reuniu toda a comunidade e pediu a instituição da proibição de se cortar lenhas à frente das casas, onde tais lenhas poderiam causar prejuízos a outros...

Assim feito, o primeiro aldeão guardou suas lenhas, e não mais as cortou.... Era verão...

Passado algum tempo, veio um inverno forte, e ocorreu de faltar madeiras para aquecer as lareiras. Se não bastasse isso, a pobre filha do aldeão que tivera sua janela quebrada, adoeceu com febre.... Este, ao ver que não tinha mais madeiras, foi-se a todos da comunidade, explicando o seu penar, e a pedir madeira para queimar em sua casa.... Porém todos estavam em igual situação, e disseram-lhe que não tinham...

Veio a saber por um deles, que talvez aquele certo aldeão que morava a frente de sua casa, ainda tivesse algumas.... Foi então, procura-lo.

Chegando lá, bateu-lhe à porta. O primeiro aldeão, de dentro de sua casa, acabara de ouvir de sua mulher a história sobre aquele que o procurava. Inclusive, sugeriu-lhe que retribui-se a desfeita, falando que não mais tinha as madeiras... O aldeão levantou-se, saiu até o fundo de sua casa, viu que nos fundos de sua casa, não havia meio de cortar madeiras... pensou, pensou.... Foi-se então em direção à porta.

Ao abrir, o outro aldeão, cabisbaixo, contou-lhe a história de sua filha... O primeiro então lhe disse:

O outro aldeão, envergonhado, pediu-lhe desculpas pelo ocorrido e disse-lhe que poderia corta-las à frente de sua casa, e que iria, naquele mesmo momento, pedir a todos que revogassem aquela lei que ele havia pedido...

E a lenha foi cortada, e aqueceu aquelas duas casas, e toda a aldeia....

 

Apenas um Koan, 13/03/2001